Resumo
O presente artigo analisa o processo de zoomorfização da personagem negra no romance O Mulato (1881), de Aluízio Azevedo, sob a ótica da Linguística de Corpus (LC). Partindo do pressuposto de que o Naturalismo utiliza o determinismo biológico como ferramenta ideológica, investiga-se como o léxico atua na desumanização do corpo negro, substituindo a anatomia humana por termos do domínio semântico da zoologia. Metodologicamente, a pesquisa utiliza o software AntConc para o mapeamento quanti-qualitativo de unidades lexicais como cabra, bode, carapinha, focinho, ventas e berrar, analisando suas linhas de concordância e padrões de colocação. Os resultados demonstram uma segregação lexical sistemática: enquanto as personagens brancas são descritas por meio de um léxico de agência e beleza, os sujeitos negros são cercados por termos que os vinculam à animalidade e à coisificação. Observa-se, ainda, o rebaixamento lexical do protagonista Raimundo conforme a narrativa avança para o desfecho trágico. Conclui-se que a animalização em Azevedo não é um mero recurso estilístico, mas uma estratégia biopolítica de apagamento da subjetividade negra, revelando as engrenagens do racismo científico na literatura brasileira do século XIX.
Palavras-chave: análise lexical; Aluízio Azevedo; O Mulato; Linguística de Corpus; zoomorfização.
Abstract
This article analyzes the process of zoomorphism of Black characters in the novel O Mulato (1881), by Aluízio Azevedo, from the perspective of Corpus Linguistics (CL). Grounded in the premise that Naturalism employs biological determinism as an ideological tool, this study investigates how the lexicon functions in the dehumanization of the Black body, replacing human anatomy with terms from the semantic domain of zoology. Methodologically, the research utilizes the AntConc software for a quanti-qualitative mapping of lexical units such as cabra, bode, carapinha, focinho, ventas, and berrar, analyzing their concordance lines and collocation patterns. The results demonstrate a systematic lexical segregation: while white characters are described through a lexicon of agency and beauty, black subjects are surrounded by terms that link them to animality and objectification. Furthermore, a lexical downgrading of the protagonist, Raimundo, is observed as the narrative progresses toward its tragic conclusion. It is concluded that animalization in Azevedo’s work is not a mere stylistic device, but a biopolitical strategy for erasing Black subjectivity, revealing the inner workings of scientific racism in 19th-century Brazilian literature.
Keywords: lexical analysis; Aluízio Azevedo; O Mulato; Corpus Linguistics; zoomorphization.
MUNDO CIENTÍFICO INTERNACIONAL (MUCIN), año 1, No.1, Octubre 2021, Publicación cuatrimestral, editada por: Ma. Elizabeth Islas León, Calle Noria SN Esq., Art. 3ro., Fracc. Constitución, C.P. 42080, Pachuca, Hidalgo, Tel. (771)1533478, https://mucin.nelkuali.com/, articuloscientificos@ceecph.com, Editor responsable: Ma. Elizabeth Islas León, Reserva de Derechos al Uso Exclusivo No. “04-2022-053113074300-102”, ISNN: 2954-4416, ambos otorgados por el Instituto Nacional del Derecho de Autor. Responsable de la última actualización de este Número, Unidad de Informática del Centro de Evaluación Educativo y de Competencias Profesionales de Hidalgo, CEECPH, S. C., Ma. Elizabeth Islas León, Calle Noria SN Esq., Art. 3ro. Fracc. Constitución, C.P. 42080, Pachuca, Hidalgo.